segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Escrevo pra saber como está a primavera por aí.

Aqui ela chegou bem diferente do que eu imaginava. Não está sendo fértil.
Mas, por outro lado, está sendo bastante renovadora.

Essa tem sido a palavra da nova estação: Renovar.
Acho que isso explica muita coisa. E conforta também.

Ainda não vi árvores carregadas de flores. Mas talvez seja cedo para querer isso.
O calor continua, aliás ele está cada vez mais forte. Estou com medo das consequências de uma chuva agora.
A gente se traumatiza. Da última vez choveram pedras e há estragos até hoje por aí.


Mas tá servindo pra eu entender o real significado da primavera.
É pra tirar o que não serve, como os pássaros que jogam fora os ovos com defeitos.
Como a fruta podre que cai, essas coisas.

Quando me disseram que a primavera era boa, não me disseram que era de um jeito inusitado.
Mas ser bom nem sempre significa ser agradável, é o que parece.

Espero que a primavera seja pra você um bom momento. 
Como o verão.
Que seja quente e segura.
E que seja doce, se possível.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Em casa, pensando, desabafando e falando demais numa sexta à noite!

Eu sempre quis ser mãe. Desde pequena, dentre todos os outros, esse era o único desejo que eu tinha certeza de que deveria realizar.
Se não fosse o bom senso e a incapacidade de procriar sozinha (além de outras coisas um pouco óbvias) eu teria tido um filho aos 12 anos!

Pois bem. Certeza infiltrada, só faltava agora crescer e esperar o tempo certo para poder engravidar.
Fui ficando mais velha a preocupação passou a ser: qual será a hora certa?

Me derreto e fico com cara de bobinha toda vez que vejo algum bebê na rua. Eu mesma fico parecendo uma criança.
Nos últimos meses, tive contato mais próximo com uma criança. E, olha...tudo o que eu tenho feito é repensar esse meu desejo antigo!!!

Sabe, eu não quero desencorajar ninguém de ser mãe. Longe de mim, aliás! Afinal, sem bebês no mundo, meus motivos para me derreter ficariam muito restritos!

Mas é que eu estou vendo o quanto é difícil. (E agradecendo por todas as tentativas anteriores terem sido frustradas!) Não que eu tenha desistido de ser mãe. Eu só estou pensando muito bem e pesando todos os pós e contras dessa árdua profissão.
Porque se fosse apenas ficar grávida (o que, depois de um tempo, também percebi que não é mil maravilhas. Mas essas partes ninguém conta...E isso pode ser assunto para outro post!), pois é...se fosse só a parte de ficar grávida aí chegava no nono mês e, sei lá...ganhávamos uma grande boneca falante com a qual teríamos que conviver por um mês e a bateria acabava, tudo seria mais fácil. (Mas bem mais sem graça também...imagina passar nove meses com uma criaturinha na barriga, criando laços e amores para no fim a boneca morrer sem uma boa pilha Duracell que não pode ser trocada??) 
Mas não, ter um filho é pro resto da vida. Mesmo: sem interrupções, sem férias, sem edições e nem sempre com trilha sonora.
Com isso eu percebo que não estou acostumada a fazer coisas que durem por muito tempo ou que eu planeje que dure. Eu não tenho um emprego fixo, eu acabo de decidir que quero que a faculdade acabe logo, eu escolhi uma profissão que provavelmente vai me transformar automaticamente em free lancer e eu não consigo nem me imaginar em um relacionamento que dure muito tempo. (Mais uma vez eu invento assunto para outro post). Com isso tudo, sem capacidade de ter estabilidade para a minha própria vida, às vezes sem ter como comprar um sorvete no calor por conta própria, eu me pergunto: COMO É QUE EU POSSO TER UM FILHO??

E é nessa hora que começam todas as crises sobre a vida. Será que vai ser assim pra sempre? Será que eu deveria ter escolhido outra profissão? Será que eu deveria ter aceitado aquele emprego e hoje, apesar de entediada, ter um bom salário fixo e estabilidade? Será que eu deveria ter feito um monte de coisas diferentes ou que deveria passar a fazer daqui pra frente?

É que a idade vem chegando (assunto recorrente por aqui!) e eu comecei a perceber que tem um monte de coisas que não podem mais serem deixadas pra depois. Aquela hora, que quando eu era criança estava tão longe, está aqui, na minha cara. E eu não posso mais imaginar que a hora de ser madura e responsável é daqui a muito tempo ainda...

Eu ainda me imagino sendo mãe. Eu ainda quero muito ficar grávida. Eu imagino formas de contar para o pai da criança.
Eu escuto por aí que colocar uma criança nesse mundo louco que estamos destruindo é uma loucura. Pode ser, mas tem muita criança querendo nascer e se não for por mim, o que não falta nesse mundo é mulher. (E aqui vem aquele meu sentimento de que as outras pessoas não fazer isso tão bem quanto eu e pego logo a responsabilidade para mim - sempre fui assim)
E...na boa? Eu não estou com muita vontade de deixar passar essa experiência!!

Ainda não sei se é melhor ter a idade mais próxima da do seu filho para ter capacidade de entender melhor a geração dele, ou se é melhor ter um filho sendo mais velha, pra ser mais madura e saber lidar com todas as coisas (também conhecidas como dificuldades). 
Ainda tenho certeza que passar dias e noites em claro para decifrar choros não é fácil. Sei que ter que ir trabalhar e deixar um pequerrucho em casa morrendo de saudades é menos fácil ainda. Conseguir educar, nem se fala. Saber conversar, convencer, ensinar, dar os exemplos certos...é tudo muito complicado e, às vezes eu penso, uma pura questão de entrega, de altruísmo, de renúncia. Levar pra escola, pagar as contas, consolar o fim do namoro, conseguir que ele(a) converse e confie em você, entender, ser entendido. Ir à colação de grau, ao casamento, ver os netos nascerem. Ajudar a criá-los...
Não é fácil. Ninguém disse que era.

Eu não quero me iludir - nem poderia - de que ser mãe é a oitava maravilha do mundo. 
Acredito que seja sensacional. Tenho certeza de que é impagável, insubstituível. Pessoal e intransferível!!
Sei de todas essas dificuldades.

E no fim, sendo bem sincera, não vejo a hora de descobrir que a hora certa chegou!!!

sábado, 23 de outubro de 2010



As palavras não foram feitas para encher quartos.
Foram feitas para que as pessoas se esvaziassem delas.

Essas palavras foram feitas para que eu me esvaziasse de mim.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

E a espera segue...

O fato é que eu não sei de nada, quer dizer...sei que existe uma possibilidade, mas ela ainda nem pode ser confirmada: Não tenho verdadeiros indícios.
Só sei que estou um bocado nervosa, apesar de dizer que não. Mas é que eu não evitei, sendo que poderia. Até evitei, mas deveria ter arranjado outro jeito e continuar evitando... =\ Jeito que não foi arranjado por, digamos, medo...ou sei lá. Sei que não queria passar mais uma vez por aquilo. (É muito ruim, diga-se) Sei que por não ter passado por essa coisa chata, posso passar por outra mais complicada.
Mas agora não tem mais jeitos a serem tomados.
Ou é agora que os jeitos têm que ser tomados, não sei bem...
Aí agora li o texto de uma amiga. E por muito, mas muito pouco mesmo não desabei a chorar.

Bom, hoje ainda não é o dia.
Esperemos então pelo dia certo. Até lá, eu descubro se devo esperar ou des-esperar.
Afinal, no meio disso tudo ainda há uma coisa importante a ser (des)esperada.

[Espero não desesperar um ano]


[Te estás equivocando / no puedes seguir inventando / que el mundo sea otra cosa / y volar como mariposa.]

sábado, 11 de setembro de 2010

A+B=C?

Os últimos dias têm sido muito férteis para pensar em amor.
Pra variar, né? É só o que eu faço, no final das contas...

Mas assim, fiquei pensando em quanta coisa nós perdemos ou nos privamos de sentir completamente, por medo e por seguir costumes idiotas. Esse pensamento tem sido recorrente e acho que eu vou acabar ficando louca se continuar com esse pensamento dialético todo o tempo. (Hilde tem razão)

As coisas não deveriam ser como são. Mas como realmente são, you know?

Poxa, o que pode haver de errado em me apaixonar por duas pessoas? Nada. Não se isso for de verdade.

As coisas naturais não são essas contra as quais a gente tem que lutar para conseguir viver em sociedade. Natural é aquilo que a gente sente e não sabe bem de onde vem, mas sabe que é real. Ou ao menos parece ser real. E para ser verdadeiro basta que você acredite.

Parece um pouco revolucionário. Mas é muito simples. As coisas são muito mais simples. Nossos sentimentos não deveriam ser tão complexados e nos deixar completamente embaraçados.

Tudo pode ser como é.
Mas as pessoas têm medo de dizer 'não quero'. E aí inventam o 'não posso'. E por aí vai.
Tudo só vai virando uma grande bola de neve...
Neve nada, isso foi uma péssima analogia: sentimentos são sempre muito quentes.

Nossa. Eu só estou piorando as coisas....



[E dou risada de um grande amor....Mentira]

domingo, 8 de agosto de 2010

Pre-cisões

E o caso é que eu pensava em escrever textos sobre minha viagem à Amazônia - conheci Manaus.
Mas aí eu cheguei em casa. Mas passei por vários e lindos Ipês Amarelos, um jacaré e uma lagoa antes disso!
Me deparei com inúmeros emails não lidos. Dos importantes, vários continham problemas. 
(ai, pra quê voltar à realidade?!)
Fui ao Chá da Aurora e vi uma barriga linda, uma família feliz e velhos amigos!
Matei algumas saudades no bar do FIT.
Mas hoje, em alguma das 4 horas e meia de espetáculo, eu tive muita vontade de falar sobre o amor.
E sobre o que se diz sobre isso. E sobre o que se pensa sobre isso. E sobre o que eu falo e penso.

Então cheguei em casa e parei em frente ao computador. Não sei mais o que quero escrever.




(Travei muito tempo até a última frase)

Eu nem sei o que penso do amor...

Acho que ele é um belo de um caderno brochurão em branco esperando cores e letras e cifras.
Pronto. Essa é minha definição de amor. Ele não tem definição.

Não consigo pensar em mais nada que faça sentido.

Afinal, não é preciso ter sentido. É preciso sentir.
(Mas sentir não deve ser preciso)


[Navegar é preciso, viver não é preciso]

O amor pode ser uma bonita foto que quase passa despercebida
e tem ruídos causados pelos instrumentos escolhidos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fases. (mais uma delas)

Às vezes é muito difícil escrever as coisas.
Eu, por exemplo, odeio escrever quando sei que alguém está lendo. Não importo de lerem o resultado. Mas o processo.
É assim com todo processo. Também não gosto muito quando me vêem construindo uma cena.
Não sei porque, só sei que é assim. No melhor estilo Chicó de ser.

Certas ocasiões fazem a gente (re)pensar muitas coisas.
Agora eu vejo que é hora de pensar na próxima geração.
Não, eu não estou pensando em ter filhos. 
(Aliás, cada vez que uma amiga próxima me diz que está grávida eu tenho a enorme impressão de que algo está errado. Talvez seja eu que ainda não percebi que cresci.)
A próxima geração em questão é minha mãe.

Eu não sei como ela vai reagir a tudo, no final das contas. Por experiência, parece que quando se perde os pais, velhinhos, e se tem os filhos já criados (ou quase), as coisas perdem o sentido.
Não se tem muito por quem fazer as coisas, por quem ficar forte, alguém que dependa diretamente da gente.
Acho que deve ser isso. Ou mais ou menos isso.

Por essa razão, eu quero ter a consciência de que eu sou a pessoa por quem eu mais tenho que lutar, ainda que não haja outras pessoas que aparentemente necessitem de mim.
Por outras razões eu escolhi que, se for pra viver até bem velhinha, que eu tenha bastante saúde, mas se for pra escolher entre as heranças genéticas disponíveis, quero Alzheimer.
Por esse motivo, devo começar uma poupança que garanta meus remédios caros quando eu não mais puder trabalhar.
(E também espero que até lá seja realmente descoberta a cura!)

Não quero viver pra sempre. Perder as pessoas que você ama uma a uma é muito difícil. 
Imagina você vivendo pra sempre e vendo todos indo embora?? Definitivamente não é o que eu quero.

Mas também, da mesma forma que não quero sofrer, também não quero fazer as outras pessoas sofrerem.
Não sei se meu(s) filho(s) terão a oportunidade de cuidar dos avós dele (pelo menos os maternos), coisa que eu farei questão que eles me ajudem, se puderem.
É importante que eles saibam, aprendam e se acostumem para quando for a vez deles de ensinar os filhos a cuidar de mim e do pai deles.

Talvez o melhor ensinamento que um pai pode dar seja como tratar seus avós e como cuidar deles quando eles passam a ser filhos novamente.

Durante esses dias eu tenho tido vontade de escrever várias coisas. Mas todas as ideias começam e logo se esvaem, talvez pelo vício do Twitter, talvez porque a cabeça está cheia de mais de outras coisas...talvez)
Agora que parei pra finalmente escrever, sai esse texto enorme e talvez sem muito sentido para quem o lê.

Nesses dias em que vejo, pouco a pouco (às vezes nem tão pouco assim) minha vó ir embora.
Nesses dias em que fico me recordando, diariamente, da morte do meu avô.
Nesses dias em que seria legal ter alguém pra conversar que não esteja também absorto em preocupações, mas que ao mesmo tempo aquela coisinha que fica lá dentro de mim e que só os amigos mais próximos conseguem enxergar e que me faz querer ser/parecer/sentir mais forte do que realmente sou e consequentemente falar menos de mim, não permite.
Nesses dias em que sensações estranhas passam por nós e pensamentos esquisitos se fazem presentes.

Ninguém sabe como têm-se que se sentir. Ninguém, aparentemente, pensa nisso.
"Tem-se que" qualquer coisa?

"Nada que "tem que" pode ser bom."

No final desse texto que parece não ter fim e que cada parágrafo parece ser o último.
No final desse ciclo em que cada dia parece ser o último e todas as energias se consomem como se não houvesse amanhã.

Eu nem sei mais o que fazer nem se tudo o que eu disse tem sentido.
Tenho uma cama num quarto transformado em hospital para dormir.
Ela me espera para arrumá-la com meus cobertores e travesseiro que a noite passada estiveram no sofá.
(Há uma linha tênue entre respeitar seus limites e ser covarde)
E tem coisas que simplesmente não se pode evitar.

Boa noite com desejo de sonhos bons e sono eficiente para todos. Menos para a enfermeira (mas não é nada pessoal, é claro!)

[Arrebatador / Vem de qualquer lugar / Chega, nem pede licença / Avança sem ponderar]