Eu fico me perguntando por quanto tempo eu vou ter que separar as minhas meias das dele.
Até que sejam todas minhas. Ou depois nossas, mas aí eu não precisarei mais separá-las.
quarta-feira, 4 de março de 2015
domingo, 20 de julho de 2014
Eu nunca...!
Estava caminhando pra casa, no
frio, num domingo à noite, sozinha, e pensando o quanto eu sou uma mulher fora
do que se espera. Ou as pessoas se encantam pelo meu jeito ou elas se
horrorizam com ele. Saber lidar é algo muito raro.
Eu bebo cerveja, como muito, como
cebola, como pimenta, nunca tive problemas em deixar meus namorados saírem
sozinhos, tenho mania de liberdade, me depilo quando quero – e quando sobra uma
graninha -, sou bagunceira, deixo a toalha molhada em cima da cama, faço
piadas, faço piadas inteligentes (sim, também tem um monte que é sem-graça),
não quero forçar ninguém a fazer nada, gosto de ajudar (principalmente quem
está perdido), várias vezes não quero que me liguem no dia seguinte, não roo
unha, tenho preguiça de fazer a unha do pé, não me encho de maquiagem, acredito
na amizade entre homens e mulheres, moro com meu ex-namorado (e a gente não tem
nadinha), gosto de ler, gosto de fotografia, embora esses últimos eu quase não
tenha praticado nos últimos tempos.
Eu não gosto de fazer joguinhos,
eu não gosto que façam joguinhos comigo. Eu canso fácil, eu gosto de dormir. Eu
nunca dei o cu. Eu tenho um bom sexto sentido embora nem sempre acredite nele.
Eu não tenho muitas frescuras, eu tenho um espelho quebrado pendurado na parede
do meu quarto. Eu não tenho paciência para mimimi, eu tenho horror a ciúmes. Eu
não tenho muitas roupas, eu não tenho muitos sapatos. 80% do que eu tenho eu
ganhei de alguém, eu enjôo fácil de chocolates, eu não gosto de ganhar rosas,
eu não reparo nas plantas. Eu derreto sem pudores quando vejo uma criança na
rua. Eu converso com as pessoas, faço pequenas amizades a cada esquina – se deixarem
-, eu gosto de sorrir.
Não suporto que queiram me passar
a perna, nunca sei como me portar quando estou sendo fotografada, não uso
salto, eu esqueço os óculos escuros, eu saio sem passar corretivo e/ou lápis de
olho. Eu não enxergo de longe, eu não me comovo pelo seu muito-dinheiro. Eu gosto
de dar presentes, eu gosto de lamber a tigela com a massa do bolo. Eu gosto de
andar e chegar à pé nos lugares, eu não sei andar de bicicleta, eu nunca saí do
Brasil, eu já fui à Manaus. Eu quero ir à Fernando de Noronha, eu quero ir à
Londres, à Paris, ao Egito, ao Chile, à Argentina. Eu esqueço de escovar os
dentes antes de dormir, eu não arrumo minha cama. Gosto de dormir até tarde,
gosto de ficar acordada de madrugada. Gosto de fazer sexo e não tenho vergonha
de não ter vergonha disso. Gosto do meu cabelo curto, não faço escova ou
permanente. Não tenho 30 milhões de cremes. Não consigo planejar minha vida a
longo prazo apesar de ter alguns poucos objetivos em mente.
Eu já disse que eu não enxergo de
longe?
Ah, pois é! Às vezes eu também
não enxergo o que está bem debaixo do meu nariz.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Que loucura que é essa tal de vida quando ela resolve mudar de nome.
Logo cedo a notícia de
um amigo querido que se foi para sabe-se lá onde...Um amigo querido. Desses que
a gente guarda no coração, guarda carinho, guarda amor, guarda cuidado. E que,
não importa quanto tempo vocês deixem de se ver, quanto tempo vocês não se
falem, o encontro é sempre doce e terno.
Mas agora o reencontro
não será tão breve. Ou talvez seja. O que importa é que não se sabe quando
será. Não poderá ser tão facilmente programado.
Não é fácil, em horas
assim, se lembrar que as coisas têm sua hora, seu tempo, seu momento. Mas eu
vou tentar.
Que suas horas tenham
sido plenas, Rapha. Cada uma delas.
Dorme minha pequena, não vale a pena despertar
segunda-feira, 3 de março de 2014
Às vezes eu fico pensando se não sou eu que estou errada.
Tem muita coisa em que eu não acredito, coisas que eu não
compartilho, coisas que eu não gosto. Também tem uma porção de coisas que eu
não gosto mas respeito. E tem um tanto de coisa que eu não sei se gosto, se
respeito, se não entendo, se não conheço...
Mas eu vejo tanta intolerância, tanta falta de vontade de
compreender o outro, de receber. Tanto medo do outro. Como se o que vem de fora
tivesse que, necessariamente, nos invadir, nos mudar. Será que é tão difícil conviver
com o diferente? Por que não podemos apenas aceitar o alheio? Se o outro gosta de verde,
eu preciso mudar meu gosto e deixar o vermelho pra lá? Ou podemos, cada um a
sua maneira, gostar das nossas cores sem que isso interfira negativamente na
vida do outro?
Eu vejo uma grande preocupação com o que o outro vai pensar.
E pouca preocupação com o outro. Com o bem estar do grupo. Com a harmonia.
Tenhamos mais comunhão. Da verdadeira. Mais respeito, menos
desejo de mudança do outro para que ele fique mais igual a nós mesmos e mais
vontade de ser igual ao outro para entender como é ser alguém que não você
mesmo. Mais compaixão (que me ensinaram um dia que era a capacidade de se
colocar no lugar do outro. Não sei se é, mas guardei como sendo e não me fez
mal).
Mais amor, por favor.
Tomara meu Deus, tomara / Que tudo o que nos separa / Não frutifique, não valha / Tomara, meu Deus
domingo, 17 de novembro de 2013
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Da invenção das coisas
Certa vez, me perguntando quem inventava as vidas,
percebi que eram criações complexas demais para serem
escritas por homens.
Só uma criatura demasiadamente complexa é capaz de formar outra
com tal complexidade.
Logo – concluí – as vidas só poderiam ter sido inventadas
por mulheres.
Ou ornitorrincos, é
claro.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Para as pessoas que estão firmes e fortes nas manifestações, nas ruas ou online
Por favor continuem mas não se esqueçam de que lutar pelos seus (nossos) direitos não é apenas sair às ruas com dia e hora marcados.
Lutar por direitos tem que ser todos os dias, em cada pequena coisa.
Lutar por direitos é, inclusive e principalmente, não trocar o direito do outro pelo seu.
Além disso, não vamos misturar as coisas. Violência e vandalismo são horríveis e desnecessários em qualquer lugar, vindos de qualquer pessoa. Não é pior porque vem da polícia e não é menos ilegítimo porque vem de manifestantes.
Manifestação não é igual a baderna. Desorganizados fomos sempre e sempre nos ferramos. Agora que começamos a reagir ao que está errado (e tem muita coisa), se continuamos desorganizados, continuamos errados. E continuamos nos ferrando.
A Copa não é novidade (sei que os movimentos contra ela também não) e CONCORDO plenamente que seja um ótimo momento para reivindicações, insatisfações (que também têm a ver com o evento) ganharem visibilidade. Porém vocês estão (ou deveriam estar) contra o que foi feito e mal feito com a copa como suporte e desculpa. Que estejam contra a FIFA também vá lá. Mas as pessoas que estão nos estádios não são o alvo. Não são as culpadas por isso.
Não me venham com conversinhas de "pagaram uma bagatela para estar lá dentro e nem sabem o que se passa no país". Primeiro porque era (é) possível comprar ingressos por R$28,50 (e paga-se muito mais por outras coisas por aí). Segundo que é querer ser muito prepotente de se achar o único a saber o que se passa no país. Terceiro que se elas estivessem em outro país, pagando muito em passagem, visto, passeios turísticos, hospedagem E ingresso para estrangeiro vocês estariam achando lindo e chique. Quarto que no meio dos brasileiros, há estrangeiros nos estádios que ABSOLUTAMENTE NÃO TÊM CULPA das nossas faltas de direitos e esquizofrenia política.
Por último, não queiram fazer NADA só porque está na moda. E com isso, eu quero pedir que SE INFORMEM. Muito, desesperadamente, incontrolavelmente. Devorem informações de todas as fontes e AS COMPARE. Tirem suas próprias conclusões, não entrem em ondas: PENSEM. E que esse desespero por informação não acabe com o fim das manifestações.
Se o gigante acordou mesmo, então mantenham ele (d)esperto. Pra sempre. Não sejamos aquele povo desmemoriado que sempre fomos.
QUEM TEM QUE IR VOTAR ANO QUE VEM É ESSE GIGANTE DESPERTO E CONSCIENTE.
"Advice for the young at heart /Soon we will be older /When we gonna make it work?"
Lutar por direitos tem que ser todos os dias, em cada pequena coisa.
Lutar por direitos é, inclusive e principalmente, não trocar o direito do outro pelo seu.
Além disso, não vamos misturar as coisas. Violência e vandalismo são horríveis e desnecessários em qualquer lugar, vindos de qualquer pessoa. Não é pior porque vem da polícia e não é menos ilegítimo porque vem de manifestantes.
Manifestação não é igual a baderna. Desorganizados fomos sempre e sempre nos ferramos. Agora que começamos a reagir ao que está errado (e tem muita coisa), se continuamos desorganizados, continuamos errados. E continuamos nos ferrando.
A Copa não é novidade (sei que os movimentos contra ela também não) e CONCORDO plenamente que seja um ótimo momento para reivindicações, insatisfações (que também têm a ver com o evento) ganharem visibilidade. Porém vocês estão (ou deveriam estar) contra o que foi feito e mal feito com a copa como suporte e desculpa. Que estejam contra a FIFA também vá lá. Mas as pessoas que estão nos estádios não são o alvo. Não são as culpadas por isso.
Não me venham com conversinhas de "pagaram uma bagatela para estar lá dentro e nem sabem o que se passa no país". Primeiro porque era (é) possível comprar ingressos por R$28,50 (e paga-se muito mais por outras coisas por aí). Segundo que é querer ser muito prepotente de se achar o único a saber o que se passa no país. Terceiro que se elas estivessem em outro país, pagando muito em passagem, visto, passeios turísticos, hospedagem E ingresso para estrangeiro vocês estariam achando lindo e chique. Quarto que no meio dos brasileiros, há estrangeiros nos estádios que ABSOLUTAMENTE NÃO TÊM CULPA das nossas faltas de direitos e esquizofrenia política.
Por último, não queiram fazer NADA só porque está na moda. E com isso, eu quero pedir que SE INFORMEM. Muito, desesperadamente, incontrolavelmente. Devorem informações de todas as fontes e AS COMPARE. Tirem suas próprias conclusões, não entrem em ondas: PENSEM. E que esse desespero por informação não acabe com o fim das manifestações.
Se o gigante acordou mesmo, então mantenham ele (d)esperto. Pra sempre. Não sejamos aquele povo desmemoriado que sempre fomos.
QUEM TEM QUE IR VOTAR ANO QUE VEM É ESSE GIGANTE DESPERTO E CONSCIENTE.
"Advice for the young at heart /Soon we will be older /When we gonna make it work?"
domingo, 19 de maio de 2013
Diz se é perigoso a gente ser feliz
"And though she feels as if she's in a play. She is anyway."
We're always in a play. I'd rather be in a play all the time. In a play we always know how it ends:
The audience goes. The curtain falls. We clean up our make up and go home.
Sometimes we go drunk before we go home.
And in the day after, there we go again. The same texts, same words, same make up, same costume, another audience. Another play, but still the same. We always know how it ends.
"Olha! Será que é uma estrela, será que é mentira, será que é comédia, será que é divina a vida da atriz?"
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Mil quereres
Eu não precisei que você se casasse para que a vontade, aquela velha companheira, fosse embora.
Muito pelo contrário.
Eu não sei da sua vida. Não sei do seu destino. Não sei dos seus planos (se é que você tem algum). É bonito viver sem planejar a longo prazo. Dá uma sensação de liberdade, de desprendimento. Mas a verdade é que isso é pura insegurança e imaturidade. Chega um dia em que é preciso planejar. Se não planejar, pelo menos querer.
É preciso parar e pensar: Ano que vem eu quero estar em Londres. Sentada num café, conversando em inglês com um alemão aleatório que também estará por lá. Daqui a três anos quero estar morando na rua, porque quero sair de casa e ser uma homeless fazendo mochilão pelo Brasil (uma pena que irão me prender por vadiagem).
Isso não significa que estarei em Londres ano que vem. Mas significa que até lá, minha vida será direcionada pra isso pois foi o que eu decidi. Três anos é muito tempo pra fazer escolhas? Tudo bem, comece querendo para daqui a uma semana. Tudo se ajeita.
Não se pode querer que a vida faça tudo sozinha. Algumas horas teremos que fazer escolhas ou perderemos oportunidades.
Quando estava prestes a me formar na faculdade, alguns amigos me perguntavam o que eu pretendia fazer depois de formada e, de pronto, eu respondia "não sei, por enquanto eu estou pensando em formar, depois penso no 'o que fazer depois de formar'". Eu, inocente, não sabia que estava completamente equivocada nos meus pensamentos. Talvez não pensasse diferente se fosse hoje - quem já passou pelo stress de fazer um TCC sabe o desespero que dá e que é difícil pensar só nele, quanto mais nele e em seu futuro-, mas a verdade é que agora que formei me vi meio sem perspectivas imediatas porque o planejamento de agora deveria ter sido feito quando eu estava imersa em espetáculos e artigos.
Não sei viver sem planejar, sem criar expectativas, essa é que é a verdade. Anos atrás eu cheguei a dizer que "até de uma árvore a gente espera algumas coisas. Minha expectativa em relação a ela é que ela fique ali, paradinha. No máximo balance um pouquinho com o vento" Não existe "não criar expectativas em relação a alguma coisa". Não existe.
E eu criei. Já criei várias expectativas nessa vida, em relação a várias coisas e pessoas. Não me arrependo e vivo de expectativa em expectativa e de querer em querer pra que eu consiga realizar as minhas coisas.
O bom disso é que, aos poucos, a gente aprende onde deve depositar os quereres mais importantes. E do quê eles devem ser protegidos.
E eu querendo querer-te sem ter fim / E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Eu já esperava um não.
Quero dizer, eu esperava um não. Eu não esperava o silêncio.
Mas é um erro comum, eu sempre espero mais de você do que o que eu deveria.
Eu esperei mais agora, quase como uma última esperança, ou último suspiro...
Mas foi menos tristeza do que dó. Foi mais alívio do que pesar.
Era isso então, um resumo. Um resumo do que eu deveria ter esperado todo o tempo.
Uno baccio.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Casal de amigos
Ela o deixou por outro menos ativista político, nem por isso menos consciente.
Ele a deixou por alguém muito melhor, não que isso fosse muito difícil.
Ela arranjou alguém mais bonito.
Ele arranjou alguém mais calma, menos dissimulada.
Ele ainda não conseguiu se apaixonar por homem.
Ela faz alguns homens se apaixonarem.
Ele é inteligente, viajou um pedaço do mundo, fala línguas.
Ela é bonita, por dentro também. Tem um ar quase inocente. Mas de verdade.
Um casal bonito, afinal....
Ele a deixou por alguém muito melhor, não que isso fosse muito difícil.
Ela arranjou alguém mais bonito.
Ele arranjou alguém mais calma, menos dissimulada.
Ele ainda não conseguiu se apaixonar por homem.
Ela faz alguns homens se apaixonarem.
Ele é inteligente, viajou um pedaço do mundo, fala línguas.
Ela é bonita, por dentro também. Tem um ar quase inocente. Mas de verdade.
Um casal bonito, afinal....
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
De malas na mão
Um dia eu disse "você achou que eu ia ficar nessa pra sempre?!" como quem estava com as malas na mão e partia para nunca mais voltar.
Não tem muito tempo.
E cá estou eu de volta ao começo.
Passei pelo começo, passei pelo fim, passeei por uns caminhos afins mas nunca me distanciei o suficiente desse ponto de partida.
Nunca me desliguei de verdade desse caminho que às vezes parece sem volta.
Em dias como hoje eu penso se realmente esse caminho tem saída e repenso minha atitude de esperar que ele vá me levar pr'aquele outro lugar que a gente decorou.
Não deve ser tão difícil assim, afinal.
Juntos fizemos o quarto, escolhemos os edredons e as toalhas. Não chegamos a comprar talheres, dava pra comer com a mão. Não compramos panelas também...o telefone da pizzaria estava pregado na geladeira. O sofá, a televisão, o tapete e toda a mobília que iria receber os amigos, compramos de segunda mão. Não fazia mal porque a cama-box era nova. E era só nossa.
A casa está pronta. Erguida. Vez ou outra alguma parede cai, mas não demora e construímos outra. Já nos acostumamos. Se um quer destruir a casa o outro, de pronto, corre a reconstruí-la. A casa está pronta mas está vazia.
Até quando?
Isso é o que me pergunto... Até quando ficaremos nesse joguinho barato?
É o que eu te pergunto.
Não tem muito tempo.
E cá estou eu de volta ao começo.
Passei pelo começo, passei pelo fim, passeei por uns caminhos afins mas nunca me distanciei o suficiente desse ponto de partida.
Nunca me desliguei de verdade desse caminho que às vezes parece sem volta.
Em dias como hoje eu penso se realmente esse caminho tem saída e repenso minha atitude de esperar que ele vá me levar pr'aquele outro lugar que a gente decorou.
Não deve ser tão difícil assim, afinal.
Juntos fizemos o quarto, escolhemos os edredons e as toalhas. Não chegamos a comprar talheres, dava pra comer com a mão. Não compramos panelas também...o telefone da pizzaria estava pregado na geladeira. O sofá, a televisão, o tapete e toda a mobília que iria receber os amigos, compramos de segunda mão. Não fazia mal porque a cama-box era nova. E era só nossa.
A casa está pronta. Erguida. Vez ou outra alguma parede cai, mas não demora e construímos outra. Já nos acostumamos. Se um quer destruir a casa o outro, de pronto, corre a reconstruí-la. A casa está pronta mas está vazia.
Até quando?
Isso é o que me pergunto... Até quando ficaremos nesse joguinho barato?
É o que eu te pergunto.
Parada. Na minha frente abrem-se caminhos, possibilidades, quereres. Não sei mais até quando terei forças ou vontades de continuar parada. O tempo corre a minha volta e eu desaprendi a dizer não.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
aquilo tudo que todo mundo era
um dia cinza que pareceu ser chuva. o dia disse o dia inteiro que seria água. Não cumpriu.
Não cumprimos o que propomos. Não cumprimos o que nos propomos.
Não sabemos nem mesmo quem somos.
Esse tempo todo e ainda não aprendemos....."seria cômico se não fosse comigo"
Já é um bom tempo, em outras datas como essa eu disse que não queria mais, que não podia mais. Não aguentei.
Não que tenha sido completamente agradável aguentar. Talvez seria bem mais difícil, se os dias estivessem condensados.
Podemos. Eu posso. Estou esperando que você venha, me dê a mão, me diga que agora a gente já não tinha medo. Não sei se você vem. Não sei se você está me vendo estender a mão.
Acho que vê.
Será que você pensa em mim com a mesma frequência com que eu acho que você pensa?
Eu te conheço.
Não. Nem um pouco.
Bobagem minha achar que já.
- Isso não é pra agora, menina...aproveita o que ainda há. Aproveita os jás que a vida tem te dado.
Muito engraçada mesmo essa tal de vida. Só dá opções quando já fizemos nossa escolha.
domingo, 11 de novembro de 2012
~exercise~ [acho que o final devia ser outro]
- Pois não, senhor? De que se trata?
- Biscoitos, senhorita! Trago biscoitos.
- Ah sim, mas eu não posso comê-los agora. Meu trem já vai
partir e além do mais minha mãe não me deixa comer fora de hora.
- Basta guardar para depois, então. Estão deliciosos!
- Garanto que sim! Vejo pela satisfação do senhor, mas mamãe
realmente não permitiria. Mesmo que eu os guardasse. Não gosta que eu coma
doces.
- Então façamos o seguinte: você a pede e veremos a
resposta. Caso seja não, não volto a importunar-te, prometo.
- (a expressão da menina muda completamente) Não será
possível, senhor.
- Pois deixe de bobeira...eu mesmo a perguntarei, caso
desejes. A não ser que não queira provar de meus deliciosos biscoitos!
- De jeito nenhum, eu adoraria prova-los mas o senhor não
entende, não será possível. Desculpe.
- Eu mesmo a oferecerei, está decidido! Como é o nome da
ilustre senhora sua mãe?
- (volta a sonhar) É Carlota...
- (interrompe) Pois então, D. Carlota, bom dia (cutuca a
dama ao lado da menina)
- (grita tentando impedi-lo) Senhor não!
- O que há de mais em oferecer biscoitos, garota? É apenas o
meu trabalho...(volta) D. Carlota...
- Senhor, pare! (cochicha) Essa não é a minha mãe. E, por
favor, não nos importune mais.
Ele sai. Na estação outras crianças brincam de pertencer à famílias que não são suas, à viagens que nunca farão.
-exercício-
Trânsito. Muito movimento.
- O que é isso? Hoje eu acordei
na Índia?!
Uma moto passa correndo e
costurando, quase é derrubada.
- FILHO DA PUTA!
Olha pro lado. O filho da puta
era ele.
- Mas o que eu fiz??
Continua seu caminho. Está
atrasado mas não quer se estressar.
Buzinas. Muitas buzinas.
Engarrafamento. Motos, mais motos...
Andam. Outra moto atravessa em
sua frente. Não há freio que chegue. Batem. O motoqueiro cai. Está parado no
chão.
- FILHO DA PUTA
Dessa vez foi ele mesmo quem
xingou, mas apenas em sua cabeça.
- Vai me fazer perder a manhã de trabalho.
[exercício]
O vizinho faz uma festa. O som
está irritantemente alto.
Vira na cama, tenta dormir.
-Que música é essa? – pensa alto
– Não é possível que eles estejam escutando isso sem ser por brincadeira...Hoje
é quarta-feira, será que ninguém trabalha nesse prédio? Logo hoje que eu
precisava dormir....
O som fica cada vez mais alto.
Bate na parede. Bate
repetidamente na parede. Acaba por entrar no ritmo da batida. No seu quase
sono, irritação e cansaço, acaba por se ver fazendo parte do batuque, ajudando
na festa.
- É isso aí, vizinha!! – ouve uma
voz vindo do lado de lá.
exercício
Um homem canta no palco
acompanhado de uma orquestra e um coral. Na plateia, Marta e Eduardo.
Ele
apenas a levou, não conhece o solista, não conhece de música erudita. Não gosta
dessas coisas. Eduardo está ali apenas para satisfazer um desejo de Marta e,
quem sabe, conseguir que ela – finalmente – lhe dê o tão esperado beijo.
Marta está encantada. Cada nota
atravessa seu corpo como uma suave brisa que a envolve e deixa sabor. Cada uma
das notas tem um sabor e Marta as experimenta uma a uma. Está em outro planeta.
Eduardo observa Marta assistindo
o “show”. Cada suspiro dela atravessa seu corpo como uma suave brisa que o
envolve e deixa sabor. Cada um de seus suspiros e arrepios tem um sabor
diferente e Eduardo os experimenta calmamente. Está em outro planeta.
O cantor lá. Alheio a tudo. Distante.
Pensando na hora em que vai, finalmente, poder descansar.
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