segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Eu já esperava um não.
Quero dizer, eu esperava um não. Eu não esperava o silêncio.
Mas é um erro comum, eu sempre espero mais de você do que o que eu deveria.
Eu esperei mais agora, quase como uma última esperança, ou último suspiro...
Mas foi menos tristeza do que dó. Foi mais alívio do que pesar.
Era isso então, um resumo. Um resumo do que eu deveria ter esperado todo o tempo.
Uno baccio.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Casal de amigos
Ela o deixou por outro menos ativista político, nem por isso menos consciente.
Ele a deixou por alguém muito melhor, não que isso fosse muito difícil.
Ela arranjou alguém mais bonito.
Ele arranjou alguém mais calma, menos dissimulada.
Ele ainda não conseguiu se apaixonar por homem.
Ela faz alguns homens se apaixonarem.
Ele é inteligente, viajou um pedaço do mundo, fala línguas.
Ela é bonita, por dentro também. Tem um ar quase inocente. Mas de verdade.
Um casal bonito, afinal....
Ele a deixou por alguém muito melhor, não que isso fosse muito difícil.
Ela arranjou alguém mais bonito.
Ele arranjou alguém mais calma, menos dissimulada.
Ele ainda não conseguiu se apaixonar por homem.
Ela faz alguns homens se apaixonarem.
Ele é inteligente, viajou um pedaço do mundo, fala línguas.
Ela é bonita, por dentro também. Tem um ar quase inocente. Mas de verdade.
Um casal bonito, afinal....
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
De malas na mão
Um dia eu disse "você achou que eu ia ficar nessa pra sempre?!" como quem estava com as malas na mão e partia para nunca mais voltar.
Não tem muito tempo.
E cá estou eu de volta ao começo.
Passei pelo começo, passei pelo fim, passeei por uns caminhos afins mas nunca me distanciei o suficiente desse ponto de partida.
Nunca me desliguei de verdade desse caminho que às vezes parece sem volta.
Em dias como hoje eu penso se realmente esse caminho tem saída e repenso minha atitude de esperar que ele vá me levar pr'aquele outro lugar que a gente decorou.
Não deve ser tão difícil assim, afinal.
Juntos fizemos o quarto, escolhemos os edredons e as toalhas. Não chegamos a comprar talheres, dava pra comer com a mão. Não compramos panelas também...o telefone da pizzaria estava pregado na geladeira. O sofá, a televisão, o tapete e toda a mobília que iria receber os amigos, compramos de segunda mão. Não fazia mal porque a cama-box era nova. E era só nossa.
A casa está pronta. Erguida. Vez ou outra alguma parede cai, mas não demora e construímos outra. Já nos acostumamos. Se um quer destruir a casa o outro, de pronto, corre a reconstruí-la. A casa está pronta mas está vazia.
Até quando?
Isso é o que me pergunto... Até quando ficaremos nesse joguinho barato?
É o que eu te pergunto.
Não tem muito tempo.
E cá estou eu de volta ao começo.
Passei pelo começo, passei pelo fim, passeei por uns caminhos afins mas nunca me distanciei o suficiente desse ponto de partida.
Nunca me desliguei de verdade desse caminho que às vezes parece sem volta.
Em dias como hoje eu penso se realmente esse caminho tem saída e repenso minha atitude de esperar que ele vá me levar pr'aquele outro lugar que a gente decorou.
Não deve ser tão difícil assim, afinal.
Juntos fizemos o quarto, escolhemos os edredons e as toalhas. Não chegamos a comprar talheres, dava pra comer com a mão. Não compramos panelas também...o telefone da pizzaria estava pregado na geladeira. O sofá, a televisão, o tapete e toda a mobília que iria receber os amigos, compramos de segunda mão. Não fazia mal porque a cama-box era nova. E era só nossa.
A casa está pronta. Erguida. Vez ou outra alguma parede cai, mas não demora e construímos outra. Já nos acostumamos. Se um quer destruir a casa o outro, de pronto, corre a reconstruí-la. A casa está pronta mas está vazia.
Até quando?
Isso é o que me pergunto... Até quando ficaremos nesse joguinho barato?
É o que eu te pergunto.
Parada. Na minha frente abrem-se caminhos, possibilidades, quereres. Não sei mais até quando terei forças ou vontades de continuar parada. O tempo corre a minha volta e eu desaprendi a dizer não.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
aquilo tudo que todo mundo era
um dia cinza que pareceu ser chuva. o dia disse o dia inteiro que seria água. Não cumpriu.
Não cumprimos o que propomos. Não cumprimos o que nos propomos.
Não sabemos nem mesmo quem somos.
Esse tempo todo e ainda não aprendemos....."seria cômico se não fosse comigo"
Já é um bom tempo, em outras datas como essa eu disse que não queria mais, que não podia mais. Não aguentei.
Não que tenha sido completamente agradável aguentar. Talvez seria bem mais difícil, se os dias estivessem condensados.
Podemos. Eu posso. Estou esperando que você venha, me dê a mão, me diga que agora a gente já não tinha medo. Não sei se você vem. Não sei se você está me vendo estender a mão.
Acho que vê.
Será que você pensa em mim com a mesma frequência com que eu acho que você pensa?
Eu te conheço.
Não. Nem um pouco.
Bobagem minha achar que já.
- Isso não é pra agora, menina...aproveita o que ainda há. Aproveita os jás que a vida tem te dado.
Muito engraçada mesmo essa tal de vida. Só dá opções quando já fizemos nossa escolha.
domingo, 11 de novembro de 2012
~exercise~ [acho que o final devia ser outro]
- Pois não, senhor? De que se trata?
- Biscoitos, senhorita! Trago biscoitos.
- Ah sim, mas eu não posso comê-los agora. Meu trem já vai
partir e além do mais minha mãe não me deixa comer fora de hora.
- Basta guardar para depois, então. Estão deliciosos!
- Garanto que sim! Vejo pela satisfação do senhor, mas mamãe
realmente não permitiria. Mesmo que eu os guardasse. Não gosta que eu coma
doces.
- Então façamos o seguinte: você a pede e veremos a
resposta. Caso seja não, não volto a importunar-te, prometo.
- (a expressão da menina muda completamente) Não será
possível, senhor.
- Pois deixe de bobeira...eu mesmo a perguntarei, caso
desejes. A não ser que não queira provar de meus deliciosos biscoitos!
- De jeito nenhum, eu adoraria prova-los mas o senhor não
entende, não será possível. Desculpe.
- Eu mesmo a oferecerei, está decidido! Como é o nome da
ilustre senhora sua mãe?
- (volta a sonhar) É Carlota...
- (interrompe) Pois então, D. Carlota, bom dia (cutuca a
dama ao lado da menina)
- (grita tentando impedi-lo) Senhor não!
- O que há de mais em oferecer biscoitos, garota? É apenas o
meu trabalho...(volta) D. Carlota...
- Senhor, pare! (cochicha) Essa não é a minha mãe. E, por
favor, não nos importune mais.
Ele sai. Na estação outras crianças brincam de pertencer à famílias que não são suas, à viagens que nunca farão.
-exercício-
Trânsito. Muito movimento.
- O que é isso? Hoje eu acordei
na Índia?!
Uma moto passa correndo e
costurando, quase é derrubada.
- FILHO DA PUTA!
Olha pro lado. O filho da puta
era ele.
- Mas o que eu fiz??
Continua seu caminho. Está
atrasado mas não quer se estressar.
Buzinas. Muitas buzinas.
Engarrafamento. Motos, mais motos...
Andam. Outra moto atravessa em
sua frente. Não há freio que chegue. Batem. O motoqueiro cai. Está parado no
chão.
- FILHO DA PUTA
Dessa vez foi ele mesmo quem
xingou, mas apenas em sua cabeça.
- Vai me fazer perder a manhã de trabalho.
[exercício]
O vizinho faz uma festa. O som
está irritantemente alto.
Vira na cama, tenta dormir.
-Que música é essa? – pensa alto
– Não é possível que eles estejam escutando isso sem ser por brincadeira...Hoje
é quarta-feira, será que ninguém trabalha nesse prédio? Logo hoje que eu
precisava dormir....
O som fica cada vez mais alto.
Bate na parede. Bate
repetidamente na parede. Acaba por entrar no ritmo da batida. No seu quase
sono, irritação e cansaço, acaba por se ver fazendo parte do batuque, ajudando
na festa.
- É isso aí, vizinha!! – ouve uma
voz vindo do lado de lá.
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